De 8 a 12 de junho, Salvador sediará a 5ª edição do Encontro de Pesquisas em Gastronomias do Brasil (ENPEGASTRO). Com o tema Gastronomias, corpos-territórios das mãos, dos contos e dos mundos, a iniciativa reconhece que as mesmas mãos que plantam, aram, colhem, cozinham e ofertam são também as que fazem suas histórias.
E é para dar visibilidade a essas vivências que o encontro abordará a importância da oralidade, da escuta e das partilhas realizadas no campo das gastronomias brasileiras, com foco especial na gastronomia baiana.
O ENPEGASTRO é vinculado ao Departamento de Gastronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, neste ano, acontece em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), anfitriã das atividades desta edição.
Multiplicidade
“Gastronomias” é escrito no plural, não por acaso, mas sim para dar conta da multiplicidade de práticas, saberes e territórios que compõem esse campo. A ideia dessa noção é a de que não existe uma única gastronomia que se sobreponha às demais, mas sim diferentes expressões, igualmente legítimas, que dialogam entre si.
“Ao adotar a multiplicidade como substantiva, também rompemos com a (falsa) ideia de hierarquia entre alta e baixa cozinha e reconhecemos uma construção polifônica, em que distintas tradições e contextos têm o mesmo valor”, explica a coordenadora geral do ENPEGASTRO e professora do Departamento de Gastronomia da UFRJ, Cláudia Mesquita Pinto Soares, baiana de nascimento, que começou sua carreira na capital baiana antes de se mudar para o Rio de Janeiro, onde se enveredou pela pesquisa acadêmica, sempre interessada nas relações entre gastronomias e sociedade.
Bahia, território de muitas Gastronomias
Para o professor de Gastronomia da Universidade Federal da Bahia, envolvido com a organização do evento, o historiador e gastrônomo Fernando Santa Clara, a expectativa desta edição é de que haja adesão de muitos estudantes do curso de Gastronomia, não só da Bahia, mas de todo o Brasil, além de pós-graduandos da área e de outros campos de estudo relacionados.
Sobre a gastronomia da Bahia, ele reforça que as cozinhas e comidas de azeite apresentam o estado e Salvador de forma muito ímpar em relação a outros contextos dos diversos “Brasis” que existem no país: “reconhecer o Brasil é reconhecer também que as gastronomias produzidas na Bahia são plurais e repletas de identidades únicas, que colocam esse lugar em evidência para o resto do mundo”.
Em relação a esses diferenciais, defende, antes de tudo, que devemos pensar em “Bahias”: “existe a do Recôncavo, a do Sertão, a do Litoral Sul, a da região do São Francisco, por exemplo. São muitas Bahias em uma Bahia só.”
“Para a gente, é importante apresentar essas muitas Bahias, dando destaque especial a quem compõe essas cozinhas, majoritariamente populações indígenas e pessoas descendentes de negros escravizados. E também mostrar como essas intersecções acontecem não só nos modos de se alimentar e nas técnicas de produção, mas nos corpos de quem faz isso, de quem mantém as heranças vivas.”
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