Fogo na Chapada: Brigadista é acusado de causar incêndio criminoso e rebate versão de bombeiro

Postado em nov 26 2015 - 2:50pm por Jornal da Chapada
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Terra, como o brigadista é conhecido, recebe o apoio de amigos e conhecidos da Chapada Diamantina em redes sociais | FOTO: Reprodução/Arquivo Pessoal |

Há rumores sobre a indústria do incêndio na Chapada Diamantina, onde pessoas ligadas às brigadas supostamente seriam responsáveis por parte dos desastres. A motivação seria receber diárias pelo trabalho ou ainda obter outros benefícios. A desconfiança levou o empresário e ecologista José Orestes Macedo Moura, o Terra Orestes, de 53 anos, a ser preso por membros do Corpo de Bombeiros de Brasília que atuavam na região, onde uma área de mais de 30 mil campos de futebol já foi queimada. Terra Orestes foi solto após ser ouvido na Delegacia de Polícia de Lençóis e afirma que foi vítima de perseguição, por não se engajar em nenhum grupo de brigadistas e preferir atuar sozinho.

Outro motivo para ter sido injustamente denunciado, segundo Terra, é por não poupar críticas ao trabalho dos brigadistas e bombeiros, que considera ser feito de forma ineficiente. Em entrevista ao site bahia.ba, o empresário e ecologista argumenta: “Quem já viu combater o fogo das 8h às 15h, no período em que sol está bem mais quente, como os bombeiros vêm fazendo? Isso é contraproducente e só ajuda a alimentar o incêndio”. O ‘Lobo Solitário’, como se auto-intitula, garante na entrevista que está no combate ao fogo há 12 dias, trabalhando diariamente por até 16 horas. Ele também afirma que aproximadamente 150 brigadistas voluntários estão atuando, atendendo ao seu chamado nas redes sociais.

É também das redes sociais que vem muito apoio ao trabalho que Terra afirma estar fazendo e que agora, além de apagar o fogo na Chapada, inclui ainda recolher assinaturas para um manifesto. Ele pretende reunir “testemunhas” da sua inocência e da sua dedicação à defesa e preservação da Chapada Diamantina e seu ecossistema. “Se for necessário, conseguirei uma milhão de assinaturas para desmascarar esta farsa”, provoca na entrevista ao bahia.ba.

O fato é que assim que a sua prisão foi noticiada, moradores e visitantes da Chapada que conhecem José Orestes iniciaram espontaneamente a publicar em sua defesa. São palavras como a do internauta Cláudio Villas Boas: “Conheço Terra há muito tempo, sempre ligado às causas ecológicas. É absurda a acusação de que ele estaria ateando fogo na Chapada Diamantina. Quem acredita nisso? Estão tentando colocar a opinião pública contra ele. Só não esperavam que Terra fosse um notório ecologista, pois toda a população o conhece como defensor a natureza”.

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Segundo informações da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, já foram queimados mais de 30 mil hectares da vegetação na Chapada Diamantina | FOTO: Dmitri de Igatu |

Outra voz que se levantou em defesa de Terra, dessa vez do Vale do Capão, é a de Paulo Gusmão: “Terra Orestes Moura foi morador da Campina Vale do Capão e sempre participou das mobilização de combate a incêndio na Chapada Diamantina”. Sabrina Cristina Martins foi mais dura: “Parem de propagar mentiras. Não têm o que fazer? Vão ajudar na brigada mais próxima”. Para Suzana Matos, o “Lobo Solitário” é realmente um incendiário, mas de corações: “Te amo revolucionário do amor”. E Selma Marsson exaltou a dedicação do brigadista incendiário de corações: “Nosso querido Terra é um dos maiores defensores da Chapada Diamantina, sempre pronto a proteger aquelas matas e paisagens. Não sei quem está por trás dessa infâmia”.

Carlos Formiga diz que é testemunha do trabalho do ecologista: “Terra Orestes é um dos pioneiros na defesa da Chapada Diamantina e do Parque Nacional da Chapada Diamantina”. O bahia.ba informa que Terra Orestes nasceu em Tucano, município do semiárido, e está há 30 anos na Chapada Diamantina. Empresário, a Terra Chapada Expedições, de sua propriedade, aproveita as oportunidades que a Chapada Diamantina oferece, principalmente o turismo radical.

O site também informa que a advogada de Terra, Roberta Ribeiro, aceita a possibilidade de que o caso renda para o seu cliente um termo circunstanciado, espécie de registro para delitos de menor potencial ofensivo, mas que o curso certo do inquérito é chegar ao Ministério Público Federal, já que o suposto crime foi cometido num parque nacional. “Como é que Terra pode ser um incendiário se foi um helicóptero dos Bombeiros que o levou para a serra para combater a linha de fogo? A cidade que o conhece não acredita nesta história”. Jornal da Chapada com informações do site Bahia.BA.

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