Geoparque Serra de Jacobina: Oportunidade de desenvolvimento e colaboração entre territórios

Postado em mar 28 2018 - 11:21am por Jornal da Chapada
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Mapa da Bahia indicando a localização da Bacia Hidrográfica do Rio Itapicuru; e Mapa de Localização da Serra de Jacobina e Municípios confrontantes (Rios, 2017) | FOTO: Divulgação |

Por Carlos Victor Rios da Silva Filho*

Sabemos que a geologia e a paisagem influenciaram profundamente a sociedade, a civilização e a diversidade cultural de nosso planeta. Ainda assim, até poucos anos atrás não havia o reconhecimento internacional do patrimônio geológico e sua importância nacional ou regional. Não havia uma convenção internacional específica sobre o patrimônio geológico. Na tentativa de aumentar este reconhecimento, em 1996 foi discutido o conceito de Geoparques por representantes da França, Alemanha, Espanha e Grécia no Congresso Internacional de Geologia na China, e em 13 de fevereiro de 2004 foi constituída uma Rede Internacional de Geoparques da Unesco.

Um geoparque é uma área protegida que tem como elemento principal seu patrimônio geológico associado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável. Corresponde a uma área onde sítios do patrimônio geológico representam parte de um conceito de proteção, educação e desenvolvimento sustentável. Possui não apenas um significado geológico, mas também ecológico, arqueológico, histórico e cultural.

Geograficamente, um geoparque representa uma área suficientemente grande e de limites bem definidos, de modo a subsidiar o desenvolvimento econômico local. No entanto, um Geoparque não é uma unidade de conservação, nem é uma nova categoria de área protegida. Sendo assim, à ausência de um enquadramento legal de um Geoparque é a razão do sucesso dessa iniciativa em nível mundial. Um geoparque tem por objetivo preservar o patrimônio geológico para futuras gerações (geoconservação), educar e ensinar o grande público sobre temas geológicos e ambientais, prover meios de pesquisa para as geociências e fomentar discussões mais amplas das questões ambientais.

Existem atualmente 127 geoparques em 35 países de todo o mundo, a maioria na Europa e Ásia. Todos estes geoparques estão integrados no Programa Internacional Geociências e Geoparques da UNESCO e recebem o título de “Geoparques Mundiais da Unesco”. No Brasil existe somente um geoparque integrado à Rede Global de Geoparques, o Geoparque Araripe (2006) localizado no Estado do Ceará, o primeiro das Américas e, até o momento, o segundo geoparque latino-americano.

Neste sentido, a Serra de Jacobina demonstra um enorme potencial. Este conjunto de serras historicamente teve sua importância relacionada à existência de camadas de conglomerados auríferos de reconhecido valor econômico. Somado a isto, a Serra de Jacobina destaca-se como a principal fonte de água potável da Bacia hidrográfica do Rio Itapicuru. Além dos aspectos históricos e culturais, destaca-se também pela presença de turfas de montanha, que em outras partes do mundo são protegidas, pelo fato de serem elas próprias o habitat de uma grande diversidade de espécies raras e servir como um verdadeiro reservatório purificador de água. Tudo isso por si só já justifica a existência de um Geoparque na região.

Portanto, a elaboração de uma proposta do Geoparque da Serra de Jacobina, de forma integrada entre os 10 municípios confrontantes (Figura1) com as Serras, parece ser uma medida razoável e que contribuirá para aumentar a consciência e a compreensão dos habitantes da região para questões chave com que a sociedade se depara atualmente, por exemplo, a escassez e poluição dos recursos hídricos. Mas para isso, se faz necessário um esforço conjunto dos meios acadêmicos, dos órgãos governamentais de âmbitos federal, estadual e municipal, da iniciativa privada e das populações locais

Por fim, a presença do Geoparque Serra de Jacobina poderá desencadear nos habitantes da região um sentimento de orgulho, de modo a fortalece a sua identificação com o território, o que por si só somará esforços para o despertar de uma conscientização sobre a importância do patrimônio geológico da região na história e na sociedade. Além disso, contribuirá para o desenvolvimento sustentável das populações nas suas áreas de influência, conciliando um modelo de desenvolvimento econômico à preservação e manutenção dos recursos naturais disponíveis.

Carlos Victor Rios da Silva Filho é doutor em Geologia
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