As tentativas de suicídio entre adolescentes têm revelado um cenário preocupante, marcado pela ausência de espaços de escuta e por contextos de violência e negligência. A fase da adolescência, tradicionalmente associada a mudanças intensas, tem se tornado, para muitos jovens, um período de sofrimento silencioso e profundo.
Um estudo brasileiro publicado na revista Revista da Escola de Enfermagem da USP evidencia que essas tentativas estão diretamente relacionadas a experiências de vida permeadas por múltiplas formas de violência e pela falta de pertencimento. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Diferente de abordagens centradas apenas em números, o levantamento priorizou a escuta de adolescentes que sobreviveram às tentativas. Os relatos indicam que o sofrimento psíquico não surge de forma isolada, mas está ligado a vínculos fragilizados no ambiente familiar, escolar e social.
De acordo com Rafaela Lima Monteiro, mestranda em Enfermagem pela UFS e uma das autoras do estudo, compreender as vivências dos jovens é essencial para identificar suas necessidades reais. “Quando abrimos espaço para ouvir os adolescentes sobre suas próprias experiências, vivências e sofrimentos, conseguimos compreender de forma genuína o que eles enfrentam e identificar suas reais demandas”, afirma.
Os dados mostram que a vulnerabilidade frequentemente começa no ambiente doméstico, com episódios de negligência emocional e instabilidade. No contexto escolar, a situação pode se agravar diante de isolamento e casos de bullying. Sem suporte adequado para lidar com emoções e sem acolhimento, muitos jovens chegam a um estado limite.
Segundo a pesquisa, as tentativas de suicídio não devem ser interpretadas apenas como um desejo de morrer, mas como um sinal de alerta. “A tentativa de suicídio emerge, então, não como um desejo de morrer, mas como um pedido de ajuda, uma tentativa desesperada de pôr fim à dor emocional”, destaca a pesquisadora.
Diante desse cenário, o estudo reforça a necessidade de ações preventivas e integradas. A criação de redes intersetoriais e de espaços seguros de escuta, livres de julgamentos, é apontada como fundamental. Além disso, o fortalecimento dos vínculos familiares e a ampliação do suporte nas escolas e serviços de saúde são medidas consideradas urgentes para evitar que o sofrimento evolua para situações extremas. Com informações do Caderno Baiano.

















































